medo

Medo irreal e medo real

 O medo é uma emoção básica, primária e instintiva. Acompanha o homem desde o início de sua existência como um mecanismo de defesa para a sobrevivência.

Quando passamos ou sabemos que iremos passar por uma situação que interpretamos como perigosa, estímulos são enviados ao nosso cérebro, como um sinal de alerta. O cérebro então, como uma resposta de sobrevivência, aciona diversas áreas que nos preparam para enfrentar aquela situação através de um, entre dois comportamentos: lutar ou fugir daquilo que nos oferece perigo. Assim, ocorre uma descarga de adrenalina, fazendo com que todo o nosso corpo se prepare para adotar um dos dois comportamentos.

Se notarmos que estamos encurralados, optaremos por lutar. Já se houver tempo, fugir será normalmente o comportamento adotado. Para qualquer uma das saídas, é necessário que nossos músculos se tencionem, nosso coração acelere, a respiração fique mais curta, nosso coração bombeie mais sangue, gerando palpitação e todos os outros sintomas sentidos ao vivenciarmos o medo.

Diante disso, percebemos que o medo sempre foi uma ferramenta favorável, pois faz com que não fiquemos ingenuamente expostos a situações que desafiem a nossa sobrevivência. Porém, com o avanço da humanidade, a reação de medo hoje ocorre muitas vezes em relação a perigos imaginários, não mais sempre a perigos reais.

O comportamento humano é baseado através de experiências que passamos e a maneira como às interpretamos durante toda vida. Em todas as situações surgem pensamentos em nossa mente, advindos de nossa vivência, que nos farão reagir àquilo que estamos passando. 

Alguns destes pensamentos podem não estar de acordo com a realidade, evocando sentimentos e comportamentos inadequados. Ao nos depararmos com algo interpretado de maneira errônea como sendo altamente perigoso, surge algum pensamento que faz com que achemos que nossa sobrevivência será afetada.

Nesse contexto, o comportamento mais adotado é o de fuga. Ao fugirmos do que nos causa medo sentimos um alívio imediato e, como um reforçador, a tendência é que voltemos a fugir sempre que esse “perigo” aparece. Ou seja, sempre que interpretarmos algo novamente como algo perigoso, tenderemos a fugir. Por essa situação não ser realmente perigosa, com o passar do tempo vamos construindo crenças e pensamentos pautados na frustração e incompetência. Afinal, não enfrentamos o que nos causou medo.

Desse modo, podemos concluir que o medo é necessário, pois ainda pode nos alertar para perigos substanciais. Mas quando afeta nossa vida de maneira irrealista, a forma mais eficaz de superarmos é enfrentá-lo. Para isso é preciso muitas vezes a ajuda de um profissional preparado e experiente que irá nos guiar nessa luta árdua, mas totalmente recompensadora!

 

Autora: Bruna Regina Sartori Caetano, psicóloga, CRP: 06/106.364.

Exercícios